rumorejam, riscam, rebordam
o matizado mapa-mandala
da inebriante memória
em cintilantes cores e fios
desenham asas e histórias
cristais, topázios, opalas
em curvas, pontes, desvios
traçando vidas e flores
iluminando vazios
preenchendo vácuos e vãos
sobrevoando dores e estios
em êxtases, mergulhos, fastios
entrelaçando almas e sonhos
caminhos, mundos e mãos
inventam rendas e rumos
imprevisíveis, risonhos....
(Ana Luisa Kaminski)
"Paraíso Azul"Pintura de Ana Luisa Kaminski
Pintura de Ana Luisa Kaminski
CINTILÂNCIAS
No fluir das águas
rugir das cachoeiras
espasmos das pedras
volteios do vapor
vislumbro as cintilâncias
da vida criativa:
dançam as borboletas
suspiram as estrelas
em meu íntimo azulado
respingos verdes, violeta...
(Ana Luisa Kaminski)
Pintura de Ana Luisa Kaminski
Parecia não ter fim aquela sede do mundo e a mulher-água tinha muitos afluentes: ternura e graça, poesia e maciez na língua, oásis e plantas irrigadas. Mas assim que toda a verve líquida desejava correr em fluxo contínuo, rochas obrigavam a água a estancar e a se repartir, perdendo força, transformando-se de novo em pequenos lagos isolados. A natureza seguia seu curso em vários movimentos, muitas vezes contrariando a si mesma. Estancava quando queria puxar. Até que, aqui e ali, uma nova reunião das águas se transformava numa cascata que arrebentava as emoções sutis. A ternura e a graça, a poesia e a maciez da língua, os oásis mais puros e as plantas irrigadas, tudo exposto à tempestade.
(Célia Musilli)













